segunda-feira, 11 de maio de 2009

Estados e Capitais

Tá que eu também não posso falar muito não porque o nordeste para mim sempre foi um mistério. E alguém vai poder falar de mim como a gente fala de quem acha que a capital do Brasil é Buenos Aires. Mas eu não consigo mesmo distinguir os estados do nordeste. Eu simplesmente não uso o nordeste. É como a fórmula de báscara: a gente sabe, ela é óbvia por muitos anos da nossa vida e não é difícil de entender. Mas quem lembra a fórmula de báscara com 28 anos é um anormal. Ou professor de matemática. (Nem venham com querer deixar um comentário com a fórmula de báscara dizendo "eu sei, tá?", porque com Google a gente sabe tudo nesta vida). Aí eu olho para o mapa do Brasil, foco no nordeste e vejo aquele monte de Estados pequenos amontoados, uns em cima dos outros, meio querendo ser um só, e não consigo saber qual está em baixo, qual está em cima e qual está do lado. Para mim é tão fácil quanto abrir uma panela de dobradinha e procurar uma lógica naquilo. Alguém deve achar a lógica, mas certamente que não fui eu. Quando precisa associar com as capitais então, aí vish, porque eu confundo tudo mesmo. Às vezes troco nome de capital por nome de Estado e vice-e-versa. Tento compensar esse tipo de coisa quando viajo pensando "estou indo para Fortaleza, que é a capital do Ceará", deste jeito bem didático. Bem retardado. Para ver se eu aprendo. Mas se você der um mapa para mim, não vou saber apontar Ceará ou Fortaleza. Então o assunto "Estados e capitais do Nordeste pode formar a trilogia das coisas que quando me explicam eu entendo, mas eu deixo de entender cinco minutos depois. Os outros dois vértices da trilogia são a questão da palestina e as regras do truco. Eu simplesmente não assimilo estas informações.

Mas enfim: pensei tudo isto porque estes dias fui conversar com uma amiga que ia para Cuiabá e ela me pergunta se Cuiabá é quente. Respondi que nunca tinha ido, mas que não tinha como não ser um lugar quente. Mas onde é Cuiabá? e é no Mato Grosso. Mas ONDE É O MATO GROSSO? Talvez no meio das pernas da Claudia Ohana, mas preferi responder que era como ir pra Brasília, só que mais pro lado. Uma definição bem escrota da minha parte, mas não achei outra maneira de explicar. E veja, não estamos falando dos Estados do nordeste, amontoadinhos e amarradinhos com um rio São Francisco. Estamos falando de um Estado realmente gigante, são menos divisas e menos capitais para decorar. Algo que nos salvou na 5a série (assim como a fórmula de báscara).

Eu nunca confundi a Bahia. Bahia é fácil porque é grande, que nem Mato Grosso. Piauí também não porque eu penso sempre que Piauí é o Estado que parece um estômago visto de costas. Roraima e Rondônia são difíceis porque é muito Estado que começa com R perto um do outro, mas eu sei as capitais deles pelo menos. Eu tenho todo o direito de não saber onde fica o Tocantins porque, na minha 5a série, Tocantins não existia, mas mesmo assim eu sei quem é Tocantins na noite. E o Acre é o mais fácil: ele fica no Rio de Janeiro, é um cenário dentro do Projac.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Mamãe enquanto dermatologista.

Das afrontas à minha masculinidade. Aproveitei três dias de folga para descansar junto a mamãe, a vida na roça, o mato, os cachorros, os macacos e a vontade de compor alguma música que chame Rock Rural. Antes de sair para o trabalho, mamãe, aquela que é cheia de suas gracinhas, né?, me chama de canto e diz: "Clay, já que você vai ficar em casa hoje, você devia cuidar da sua pele". (Fora de casa não precisa). Enfim: ela fica preocupada com a minha pele (que?) por conta das muitas viagens: diferentes condições de temperatura e pressão que estragam nossas carinhas bonitas, levemente rosadas e, por esta última condição, sem toda a dignidade que mereço depois de tantos anos prestando serviços (que?) ao mundo.

Ela me mostra dois frasquinhos. O primeiro ela explica: "isso aqui ajuda a limpar a sua pele. é bom porque tem grãozinhos de areia". E eu não sei por que é que graozinhos de areia me deixariam de cara limpa. Pensei então que mamãe quisesse que eu fosse à praia, Santos, Guarujá, qualquer coisa a uma hora daqui, e esfregasse muito mesmo a minha cara na areia. Com todo a merda e mijo dos cachorros leprosos e desgraçados da agonia da vida urbana no litoral. Depois, orgulhoso do visual à milanesa eu poderia levantar e dizer com orgulho "de cara limpa!".

O segundo frasco ela pega, mostra, fala isso, aquilo e eu não assimilo absolutamente nada porque porque já estou rindo internamente. "Do que você ta rindo?". Eu? De nada! Mamãe, você tem sempre razão quando a gente sai de casa e você usa isto para ocasionalmente bancar a velha jogada no asilo e eu efetivamente me sinto assim naquela típica relação de culpa implicita entre filhos e suas mães. Aí ela resolve sintetizar os dois frascos de orientação com a típica poesia materna:

"Sabe, filho, a pele da gente é como uma flor: se a gente adubar e cuidar direitinho, ela cresce bonita*"

Minhas suspeitas estão confirmadas: mamãe quer mesmo que eu esfregue minha cara em areia e merda.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Santo de Casa Não Faz Milagres

Ainda questionando a fé alheia... foi ontem, anteontem, não lembro, que passou uma matéria no Globo Esporte mostrando um goleiro aí que eu não lembro qual ou de onde, não importa, e toda vez que ele defendia um gol ou a zaga tirava a bola, ele fazia o sinal da cruz. O pai, o filho e o espírito santo, aquela galera sagrada. Mas aí eu pergunto: e se o outro goleiro fizer o sinal da cruz também? Aí Deus tem que dar zero a zero. Só que e se o atacante também evocar os poderes da galera sagrada? Aí fodeu mesmo porque não da pra atender todo mundo, as pessoas pedem coisas conflitantes e querem que Deus de um jeito nisso e aí ele não pode fazer nada. Então acho que se eu fosse Deus, eu faria uma coisa mais tipo um concurso. "A primeira pessoa que ligar e disser os 10 mandamentos ganha a vitória do seu time" ou "a melhor frase sobre o dilúvio marca na rede", alguma coisa assim.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sabor Apimentado

Eu uso o Colgate Plax. Odeio Listerine. Listerine deixa a boca da gente ardendo, o que é puro marketing. Como a sensação de refrescância das pastas de dente: fazem a gente achar que a boca está limpa só porque ela está fresca, mas isso não é uma verdade porque chorume na geladeira continua sendo chorume. O Listerine faz isso: deixa a boca da gente ardendo muito, muito mesmo. Pra dar para a gente a impressão de que os germes estão morrendo. Mas isso é a coisa mais estúpida da gente pensar: se é a sua boca que está doendo, então é a sua boca que está morrendo. Não o germe.


Também não sei se a morte dos germes começa pela dor de suas bocas. Nunca conversei com um germe em seu leito de morte.

terça-feira, 14 de abril de 2009

.:Estatísticas:.

Vamos combinar o seguinte então: a partir de agora eu não converso mais com as pessoas sobre assuntos polêmicos. Falo se elas se comprometerem a serem amordaçadas. As pessoas se irritam, tudo vira pessoal, é um saco. Não falo mais de futebol, que eu já falava pouco antes. Não falo mais sobre política, religião, visão política, ideologia, certo e errado. Não falo mais de Big Brother, nem ano que vem eu falo mais disso. Não falo mais sobre banda ruim. De repente eu até paro de falar sobre meninas de biquini, acho que até isso deixou de ser uma unanimidade nesse mundo. A partir de agora, eu só falo sobre coisas exatas. Meu assunto prefirido agora são os números. Você me chama para tomar cerveja e eu vou falar sobre raiz quadrada. Não vou discutir nem qual a cerveja que se deve tomar para falar sobre raiz quadrada. O que se sabe de novo sobre os números ímpares? Descobriram algum novo? Não se sabe nada, não é uma discussão. Tudo o que a gente conversa que não são números podem abalar relações interpessoais.

(E nem tenta me enganar querendo falar sobre estatística: estatística não é número, é dado coletado. 106,83% da população mundial aprecia meninas de biquini. Eu acredito numa pesquisa dessas porque acredito que algumas pessoas fazem mitose, meiose, sei lá, para virarem duas ou três porque, tudo o que elas gostam de meninas de biquini, não cabe em uma pessoa só. Mas você aí é capaz de falar que não acredita num número tipo 106,83% numa pesquisa. A minha resposta vai ser bem, 106,83% é um número que existe, vem logo depois do 106,82%).

sexta-feira, 10 de abril de 2009

NP fazendo escola

Humor negro é assim: ou você ama ou odeia. Claro, a mesma coisa pode ser dita dos infames, humor pelo absurdo e por aí vai. Sou o tipo de pessoa que se dobra de rir quando vê, por exemplo, uma camiseta com a foto do Darth Vader, escrito Sith happens" embaixo.

O humor negro precisa ser ao mesmo tempo criativo, mas ainda mais corajoso. Não é qualquer um que tem a cara de pau de fazer certas coisas. Outro exemplo: não há nenhuma garantia que eu sairia vivo de uma situação assim, mas sempre que vejo um carro parado em cima da faixa de pedestres, minha vontade é de continuar caminhando em linha reta e passar por cima dele, como se nem tivesse me dado conta. Mas eu não sou à prova de balas, pra dizer o mínimo. Mas isso não seria humor negro, apenas uma cena de filme do Leslie Nielsen. Ou de um clipe dos caras do The Verve.

Humor negro de verdade foi uma notícia que vi. Um jornal digno de algum respeito, dá a notícia assim:

Acidente com biarticulado deixa um morto e fere 60 em SP

Os moradores de um pequeno trecho da Rua da Prata, no Campo Belo, Zona Sul da Capital, acordaram nesta terça-feira com um estrondo. Por volta das 8 horas, um ônibus biarticulado que fazia a linha Terminal Capelinha-Largo São Francisco, da Viação Campo Belo, perdeu o controle na alça de acesso à Avenida Vereador José Diniz, sentido centro, rolou por um desnível de cerca de quatro metros e caiu na Rua da Prata, atingindo o muro de uma casa na esquina com a Rua Paratinga.

A passageira Annexelle Marcial da Silva, de 26 anos, morreu no Hospital Regional Sul. Segundo a polícia, 60 pessoas ficaram feridas – uma em estado grave. A Secretaria Municipal dos Transportes informou que foram 49.

Segundo alguns passageiros, o ônibus estaria superlotado na hora do acidente. A Secretaria informou que o veículo transportava 150 passageiros e sua capacidade é de 190. Uma placa dentro do ônibus indica, porém, uma lotação de 152 passageiros.

A aposentada Vilma Cardia, de 72 anos, disse que estava sonhando exatamente com um acidente de ônibus na alça quando acordou com um estrondo. Logo após ver o que tinha acontecido, ligou para a filha Silvia: “Tem um ônibus dentro da nossa casa e um monte de feridos”. O gerente da Viação Campo Belo, João Feitosa Saraiva, afirmou que a empresa vai arcar com todas as despesas de reconstrução do muro e também dos serviços funerários da vítima fatal.


Agora, outro jornal lançou a seguinte manchete em sua capa:

Biarticulado se parte em 3 e mata uma

É impressionante, Alberto!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

OBAMA MIGUXXXXO!


OBAMA, ADD EU MIGUXXXXO S2. Porque todo político já entendeu que o hype da política é ser nerd. Tipo o Dirceu que tem blog, etc.


E veja que, para o MySpace, a nerdice do Obama é um DESTAQUE. Jogar Age of Empires na Casa Branca, esse tipo de coisa.