terça-feira, 21 de julho de 2009

A crise dos 29

A crise dos 29

Eu não penso nisto como a crise dos 30. É um pouco ridículo dizer que você está reavaliando toda a sua vida porque você atingiu uma marca de idade. E ainda adotar um decimal exato, o 30, como se o 29 fosse pior ou como se o 31 fosse resolver os problemas do mundo. Se alguém me pergunta eu não falo "é que estou com 28 anos e tendo uma sensação de que estou estagnado em certos pontos sem saber o que fazer para progredir neles". Não penso no 30, só penso que já vivi uma quantidade de anos suficientes pra largar mão de certas babaquices. Mas não da para negar que logo completarei 30 anos de idade e estou repensando na vida. Sabe como somos nós, pessoas que andam na contramão das micaretas: a gente não gosta de se render aos clichês. Eu não gosto e não me rendi, como todos aqui podem perceber. Ou mesmo como o dia dos namorados, que foi justamente numa época em que eu pensava que gostaria de estar namorando. Vejam, não tem qualquer relação com o dia dos namorados. Porque querer namorar no dia dos namorados é coisa de gente babaca. E estou afirmando que não foi isto que aconteceu, notem. Não sou este tipo de gente, eu acho

Tanto faz se é a dificuldade dos projetos de vida, dos pequenos cansaços do dia a dia, da dificuldade extrema que se instalou no quesito sustentar amizades e no crescimento exponencial da minha preguiça de conhecer pessoas e fazer concessões que ferem os meus princípios egoístas, aqueles, que eu sempre cultivei com tanto carinho. Enfim, acho que é uma agonia de proporções moderadas antes do aniversário. Pelo menos disto eu escapei: as pessoas gostam de falar de um tal de inferno astral que viria antes do aniversário, não depois.

domingo, 12 de julho de 2009

Burguer King

Quando como no Burguer King, costumo pensar que ele foi inventado pelo Larry Flint. Quer dizer, você tinha um mundo com a revista Playboy e o McDonald's. Aí veio o Larry Flint e eu penso que as coisas aconteceram exatamente como foi retratado no O Povo Contra Larry Flint: ele olhou a Playboy e disse "mas não é isto que as pessoas querem comer: elas querem carne de verdade". Depois disto alguém levou a frase dele mais ao pé da letra e criou o Burguer King, onde se come carne de mentira, mas com sabor artificial de carne de verdade.

Particularmente eu gosto do Burguer King. Não ligo para a Hustler. Nem para a Playboy, exceto por aquela curiosidade que leva a gente a querer ver do que se trata a celebridade X. Aí a gente ve que se trata de Photoshop e silicone. Carne de verdade, mas com sabor artificial de carne de mentira. Acho que era mais interessante na era pré silicone e photoshop: eles colocavam a Betty Faria, a Hortência e a Lucélia Santos. Daí você podia pensar que não era carne, era só tofu mesmo. Nunca vi peitos de silicone pessoalmente, mas vocês sabem que eu até queria.

Esqueci onde queria chegar com este texto. Não era sobre silicone e photoshop, era sobre Burguer King mesmo porque foi lá que eu comi hoje. Não no puteiro.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Qualquer Coisa

Quando comecei a brincar de blog, achava que ninguém jamais leria aquelas coisas. Então eu realmente falava qualquer coisa. Contava os foras que levava das meninas, contava sobre o quanto odiava seres humanos, contava sobre as angústias de ganhar pouco em um empreguinho fedido e uma vez por semana postava quanto o meu pau media, só para ter certeza de que ele não era mesmo como o nariz ou as orelhas que crescem com a idade. Eu tinha 22 anos, pouca estima pela minha vida e orelhas e narizes menores do que tenho hoje com quase 29 anos.

Tinha um grupo de amigos que lia estas minhas tralhas de gente que tem nariz e orelha pequenos e admiravam a minha coragem de me expor. Consideravam que eu era uma pessoa desbocada e verdadeira. Era a galera desta menina que eu conheci por causa de blog, todo mundo ali achava isso, exceto a menina propriamente. Ela dizia que eu fazia papel de ridículo e que induzia as pessoas a torcer pela minha desgraça. Ficava me desincentivando, de certa forma, a brincar de blog. Eu costumava pensar que ela só tinha inveja porque o blog dela era bom, mas os amigos dela comentavam para ela a respeito do meu, e não do dela.

Não acho que eu tinha uma qualidade superior de texto, temas ou qualquer coisa assim: mesmo mesmo acho que eles estavam mais curiosos para saber quem era essa pessoa nova escrevendo, enquanto ela era a mesma que eles já conheciam há uns anos. Ou seja, eu não acreditava que estava me fazendo de coitado, pescando vibrações pessimistas para alimentar ainda mais o meu então pessimismo ou coisa assim: só achava que ela tinha mesmo algo entre o ciúme dos amigos e a inveja. (Inveja de mim, ciúme dos amigos, neste caso era exatamente a mesma coisa). Nunca achei isto. Mas uma coisa é: naquele tempo eu não conhecia a maioria das caras e não convivia com muitas pessoas que liam isto daqui, então não tinha vergonha.

Acho que ando com isso aí, um misto de vergonha e preguiça de escrever. Mais o segundo do que o primeiro. Então nada parece mesmo um assunto, mas eu gosto desse espaço, então to escrevendo isso aqui, que eu carinhosamente estou apelidando de "qualquer coisa" a fim de tentar quebrar um pouco do gelo. Não sei se vai funcionar. Eu poderia falar sobre meus planos profissionais, poderia falar sobre a crise econômica mundial e poderia falar sobre como a minha vida adulta anda fazendo tudo parecer tão inviável. Tudo isto é um assunto. No entanto parece que eu não consigo mais elaborar as coisas.

Não sei o que acontece. Bloqueio de artista, alguma putaria do gênero, sei lá.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A espinha era a lei

Ontem eu devia estar com muita fome mesmo, ou então tenho algum tipo de ódio reprimido por peixes. Do fundo da minha alma, devo dizer que não guardo por eles nenhum rancor por relacioná-los com o cristianismo, nem acho que eles carreguem nenhum significado obscuro.

O caso é que dei uma mordida com tanta vontade no peixe que comi ontem no almoço que ainda agora consigo sentir uma espinha presa na minha garganta.

Acho que vou dar algum nome a ela e adotá-la de vez. Esse pode ser o início de um longo relacionamento.

domingo, 28 de junho de 2009

Sobre relacionamentos

Um dos segredos de ter um relacionamento sadio - ainda que muita gente considere esta questão discutível - é não haver segredos entre os envolvidos. Sinceridade é um ponto-chave para que muitas relações dêem certo e não só as de envolvimento amoroso.

Pois bem. Mas eu, que tanto prezo a sinceridade, ontem aproveitei-me da ausência de vocês queridos leitores do meu blog. Agi pelas costas de vocês e agora não tem mais volta, não mesmo...

Comi mamão.

E não me envergonho!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Justiça Divina

Vamos lá, deixa eu fazer um pouco de justiça. Só pra variar um pouquinho. Que eu fico sacaneando que a mulher que mora aqui perto é a crente louca, mas na verdade ela é muito legal comigo. Ela é muito legal e eu fico por aí insistindo: crente louca. Toda vez que eu a encontro, ela fica toda preocupada comigo. A cada cinco minutos ela repete coisas do tipo se você estiver incomodado com qualquer coisa, você fala, tá? E acha que tudo vai incomodar e pergunta de novo e de novo e de novo. Quando cansa, entra em outro loop: no do "fica bem".

- Dona Crente Louca, eu to usando aquela geladeira desligada como dispensa pra guardar as minhas coisas, tá?

- Ah, claro, FICA BEM.


Ela gosta mesmo de mim. Ainda que eu seja um infiel que tem um blog sobre seu sonho de comer todas as mulheres da face da Terra. E que use o mesmo para chamá-la secretamente de crente louca.

Ontem teve a tal reunião de condominio. Eu assustei um pouco porque achei que seria sexta e, de repente. abriram a porta. Era ela e sua tropa crente. Bate-papo de lá, de cá, como ta a vida, o trabalho, essas coisas. E ela pergunta:

- Quer participar da reunião?

- Não, obrigado, dona Crente Louca! Eu vou pra minha casa ler meu livro.

Pura mentira: eu subi aqui e fiquei praticando minha falta de fé. Tentando Roubar wi-fi do vizinho no Lap Top da minha irmã e tirando sarro que a crente louca é muito louca e, conseqüentemente, pavimentando minha estrada para o inferno. Pura maldade minha: ela me trata bem e não tentou me converter. Ainda. Não com convicção. Enfim: o caso é que ela me trata muito bem e eu fico de maldades com ela. Coisa de gente que sentiu prazer pisando em formiga quando criança, eu penso. E aí eu não sei por que é que eu tenho que ter o coração tão preto e peludo: deixa ela citar Deus a cada meio minuto, (acho que até enquanto dorme), se é assim que ela é feliz e acha que sua vida faz sentido. O que é que eu tenho a ver com isso?

A verdade é que ter preconceito contra evangélico é tão feio quanto ter preconceito contra negros e gays. E aí tem aquela galera que acha cool andar entre gays e entre negros, mas ninguém acha muito cool andar com evangélico. Cool é sacanear evangélico. Ninguém aguenta eles falando de Deus a cada meio minuto, eu pelo menos não aguento. Mas 90% das militâncias praticadas no mundo eu acho irritantes, então é melhor deixar tudo meio pra lá.

Os negros tem uma vantagem: o papo é o da injustiça social, mas nenhum deles tenta te tornar negro. Gays também não, em geral, mas eu tenho o meu histórico dos que quiseram muito mesmo que eu me tornasse. Fé em Deus ninguém realmente tentou que eu tivesse, até onde me lembro. Talvez porque, sempre que falam de Deus comigo, eu faço a minha já consagrada cara de "quem não sabe como algumas pessoas colocam miniaturas de navios dentro de garrafas".

quarta-feira, 24 de junho de 2009

MSN BIZARRO

Eu digo:
Eu fico muito esquisito sem óculos
Eu digo:
Tava perigando de parar de usar. Mas sou míope pra caralho
Ela diz:
EU tb... mas to vendo algum com uma armação menos séria, pq eu, com armação preta, fico a encarnação definitiva da nerdice
Eu digo:
Mas é meio cool ter cara de nerd, vc sabe, né?
Ela diz:
ah, não... quero ter cara de descolada
Eu digo:
Bom, eu já desisti de parecer descolado. Eu sei que eu não sou
Eu digo:
Além do mais, é uma pose que não cola comigo: a gente meio que se conhece por causa dos amigos da internet. Então, descolado, a gente não é
Ela diz:
HAHAHAHAHHAHAHAHAHA
Ela diz:
mas ninguém precisa saber disso. A gente pode inventar uma historia
Eu digo:
Ta bom. A gente tava na BALADA, eu MANDEI UMA IDÉIA pra você e a gente se beijou. Beleza?
Ela diz:
Não
Ela diz:
horrivel
Ela diz:
a gente estava naquele evento do Odeon... qual o nome mesmo? Passa filme a madrugada inteira...
Eu digo:
Nossa, em maratona de cinema? Isso é coisa de nerd! Ta vendo como a gente não consegue parecer descolado?
Ela diz:
Hahahahahahahahahaahahahahahahha
Ela diz:
merda
Ela diz:
Tá, então somos nerds mesmo. E o que a gente faz com isso?
Eu digo:
Compramos nossos óculos com aro preto e passamos a noite de sábado jogando RPG. O que mais?
Ela diz:
RPG jamais
Eu digo:
O pior é isso: existem vários tipos de nerd
Ela diz:
É É?
Eu digo:
Tipo: eu realmente acho que sou nerd, e também gosto de jogar RPG
Ela diz:
Isso aí é nerd demais ... nunca nem me aproximei de um rpg... eu, entre os nerds, sou descolada então
Ela diz:
Eu uso até all star de oncinha.
Eu digo:
Eu jogava RPG direto quando era moleque. Tipo já faz uns 14 anos, acho.
Eu digo:
RPG é que nem Los Hermanos
Eu digo:
RPG é legal... o problema não é o RPG ou o Los Hermanos.
Eu digo:
O problema são as pessoas que gostam destas coisas


Deixando claro que eu odeio Los Hermanos...