sábado, 6 de novembro de 2010
Investindo no futuro
Aí eu continuei pensando: o petróleo é nosso!, já disse Getúlio Vargas (incluindo a exclamação). Depois, o Brasil é o país do futuro. Mas o futuro a Deus pertence. Então é daí que saiu esse papo de que Deus é brasileiro. Ou foi uma confusão: ele é só acionista da Petrobrás e ninguém entendeu isso.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O que quero ser quando crescer?
O Isaac foi o cara que um dia, depois de nós dois formados, fez um blog e me mostrou. Eu achei legal. Parecia que blog poderia ser mais do que um diarinho estilo menina que imaginou que, quando crescesse, seria princesa da Disney. Fiquei com vontade de fazer um e fiz. O meu acabou não ficando muito diferente do das meninas que queriam ser princesas um dia. Afinal, este aqui é o diário de um príncipe germânico, bla bla bla.
Outro dia refiz contato, depois de anos (anos mesmo) e comecei a me queixar da vida para o Isaac. Reclamei de como não tenho controle sobre meus dias, que não participo de eventos sociais e que estou distante dos meus amigos e da minha família. Que não há rotinas, não há planos, só há trabalho. Não consigo fazer exercícios, não consigo fazer um curso. Só durmo e trabalho.Ele tentou me consolar: “Clay, para de reclamar da vida… você tem um emprego, tem salário, Sai com umas minas (sic) e tudo isso. As pessoas admiram o que você faz. Pense-se como quem vive uma aventura. Pense que você é um pirata!”
Eu e o Isaac não viramos engenheiro de sistemas e gerente de redes. Eu e o Isaac nos formamos em ciência da Computação. Mas eu e o Isaac não trabalhamos na área: Isaac virou arquiteto e eu virei artista de circo,mentira, trabalho na área comercial como vocês sabem. Mas o que o Isaac queria mesmo é que, quando crescessemos, nós dois fôssemos piratas.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
SUDOKU
Eu fico pensando na cara que deve ter o japonês que inventou o sudoku. Claro, to assumindo que foi um japonês. Não consigo pensar que quem inventou um negócio desses foi um boliviano erradicado no japão. Ou nem isso, um boliviano que gostava de japoneses e números e inventou um jogo que homenageasse ambos de alguma forma. Mas aí ta o japonês lá, cansado do video game e resolve fazer algo para tentar resolver o tédio. E coloca números de um a 10. Em várias ordens. Percebe um jeito de organizá-los sem que se repitam na mesma ordem em uma outra linha. E em mais uma linha. E em nove linhas ao todo. E descobre algum tipo de lógica para isso se tirar alguns números do lugar e, quando você ve, esse filho da puta ta ganhando milhões vendendo diferentes versões de 9 fileiras de números de 1 a 9 para jornais e revistinhas coquetel. Além de ser milionário (e filho da puta, como eu já disse), ele está presente em todas as salas de espera de médicos e dentistas, concorrendo com a capa da Sthefany Brito voltando ao Brasil de peruca por ter levado um pé na bunda do marido. Que segundo alguma capa de revista que eu vi por aí, não cansou do video game e que é por isso que eles se separaram. Esse japonês, eu vou falar pra você. Com certeza tinha tempo demais livre. Ninguém ensinou esse cara a fazer sexo. Provavelmente ele sequer sabe bater uma punheta. Nunca deve ter lavado uma louça na vida, só jogou video game mesmo. Ainda assim cansou. E quando isso aconteceu, ficou lá, ordenando números de 1 a 9 em 9 ordens diferentes. Aí, sei lá o que é que o Alexandre Pato vai fazer quando cansar de jogar video game.
E eu que fiquei impressionado essa semana com um cliente alemão, por ele ter um número preferido, o que entendo que é diferente de um número da sorte. É um número pelo qual você é mais apegado que aos outros. Tudo isso em alemão, ainda por cima: não basta ter um número preferido, tem que ser alemão. Aí vai ver que quem inventou o sudoku foi um alemão erradicado no japão que tinha um número preferido entre 1 e 9.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Leite Derramado

Então eu li um livro do Chico Buarque. Em minha defesa, digo que não paguei por isto. Aí as pessoas me viam lendo livro do Chico Buarque por aí e eu esperava que elas achassem que meu cérebro era inchado e que tinha tantos neurônios que alguns nem estavam lá, estavam escondidos numa dimensão paralela e se comunicavam com os que cabiam no meu crânio por telepatia. (Existe algo de estúpido em dizer que neurônios se comunicam por telepatia, mas deixa pra lá). Não foi bem isso que aconteceu: as pessoas me perguntavam e eu dizia “na verdade to achando esse livro uma merda” e a resposta nunca era indignada. Alguns reagiam com raiva, outros com pena e acho que alguém teria me dado uns trocados para compensar os danos psicológicos que o livro poderia estar me causando. Engraçado porque eu sempre achei que Chico Buarque fosse algo super cabeça, que as pessoas admirariam. Vai ver que o tempo dele já foi ou vai ver que ele é chato mesmo. Vai ver que o Chico Buarque* é mesmo o Marcelo Camelo de ontem. E aí a Marieta Severo é a Malu Magalhães de ontem? Ta aí alguém que se fodeu então. Eu gosto de Geni e o Zepelim. Tinha tudo o que uma boa história precisa para ser emocionante: putas, reacionários, apedrejamentos e, claro, um zepelim. Mas no geral eu sempre achei Chico Buarque um pé no saco mesmo. Principalmente os fãs de Chico Buarque: aquela corja hipnotizada incapaz de aceitar que alguém critique isso ou aquilo que o cara fez. Seja uma música, seja um livro, seja comer a Malu Magalhães. E pensando assim ele é mesmo o velho Marcelo Camelo porque os fãs desse aí são outro pé no saco (eu não gosto de Los Hermanos, não vou mentir). A diferença é que o Chico Buarque era considerado galã enquanto que o Marcelo Camelo nem mesmo a Marieta Severo diria que é gatuxo.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Macauley Culkin
O processo todo: usar, colocar no cesto, lavar, por pra secar, dobrar, colocar na gaveta, usar até borrar ou encher de micose, colocar no cesto e assim por diante.
Veja, mamãe não deixa eu fazer isto. O processo todo. Revolução industrial, a alienação do trabalho se aplica: eu faço a parte de usar até borrar ou encher de micose e colocar no cesto. Tenho licença para usar o chão do quarto como cesto, mas achei que poderia pelo menos nisto tomar parte, então não faço. Não consigo conhecer todas as pontas do processo, estou proibido pela mamãe que é maluca e controladora. A mais maluca e controladora de todas. "Mas Clay, eu também sou um sem vergonha que mora com a mamãe e ela não me deixa controlar minhas roupas, ela é maluca e controladora que nem a sua, por que você acha que a sua é mais?" Fácil: porque ela é a minha mãe, não a sua e isso faz dela a mãe mais maluca e controladora que pode habitar este blog.
Não é pela mordomia em si. Eu gosto de mordomia, eu assumo o papel de joinha da mamãe quando é conveniente. Mas cuecas e meias tem este problema: se você não for extremamente meticuloso, eles somem. Meias tem esta propriedade irritante de funcionar aos pares. Então eu uso o par e ele vai para o cesto. Quando ele volta não constitui mais um par e aí, naquele dia em que você finalmente conseguiu convencer alguém como, sei lá, a rainha do pompoarismo a sair com você, você descobre que tudo o que você tem é um pé de meia de lã verde e um outro de uma meia preta social. Não da pra sair assim. Sair com uma mulher com um pé verde e o outro preto é o jeito mais fácil de fazê-la perceber o Fasano como se estivesse no Habib’s.
Cuecas são o mais triste. Porque você tem a cueca bonita, reluzente e que faz seu pau parecer enorme e aquela cueca que já ta sendo requentada em microondas pelas traças. E esta última funciona para aqueles dias em que você sabe que não vai tirar as calças por nada. Como quando você é convidado para a circuncisão de uma criança judia. Exceto quando você é a criança judia, mas isto não vem ao caso. Então você usa as cuecas boas de fazer seu pau parecer enorme em algum dia e depois ela vai para o cesto. Some misteriosamente por muito tempo e um dia você lembra dela, sai à busca. Não é na cidade submarina de Atlântida que você vai encontrar, mas sim num lugar muito mais insólito: no armário do seu cunhado. Seu cunhado, aquele que deve usar cuecas uns 3 números maiores que o seu mas que, ainda assim, acha um jeito de usar aquelas cuecas. Tornando-as impraticáveis. É a interdição da cueca: jogue-a em uma área remota e coloque um cordão de isolamento em volta. Chamem a polícia! Chamem o CSI Carapicuíba! Chamem a inquisição espanhola! Vejam, cuecas são bens inalienáveis, não se empresta uma cueca. Você até doa uma cueca, mas não empresta. Você não pode relacionar cuecas em documentos de fiança para imóveis e existe um bom motivo para isto.
Então, entendam, não é uma questão de amadurecimento para a vida. É uma mera questão de controle sobre o guarda roupas. Mais nada. Ponto final.
Estou proibindo piadinhas sobre meu cunhado usando minhas cuecas. Escatologia tem limites, ok?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
You speak my language
Desde o começo também buscamos formas de melhorar a comunicação para tornar a vida mais agradável. Quando se convencionou que "uga" significava "meu precioso" e "buga" era alguma coisa equivalente a "já dançou com o demônio sob o pálido luar?", demos os primeiros passos para um melhor entendimento entre as pessoas. Hoje, somos inúmeros povos com um sem-número de idiomas que vivem se mesclando. Um dos efeitos da globalização é a aproximação de termos e absorção de palavras de outros idiomas, para expressar com mais eficiência sensações e situações que não estavam bem representadas. É por isso que hoje deletamos, as mulheres (e alguns homens) usam lingerie, comemos hambúrgueres e tantas outras coisas que não faziam parte do nosso dia-a-dia. As línguas são formadas a partir de outra e nunca param realmente de se formar.
...mas nada nem ninguém coloca na minha cabeça que "realizar" é sinônimo de "perceber". Não em português. Não.
Simplesmente não.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Mim, Tarzan.
Numa boa, sabe quem tem direito a usar essas roupas? Quem vive no meio da selva e precisa matar pra sobreviver. Pra se aquecer dos rigores do inverno. Pra se proteger dos insetos. Pra mostrar que é um bravo guerreiro e deve ser respeitado por sua coragem e valentia. Porque, afinal de contas, não é todo mundo que consegue abater um tigre, convenhamos. Exige uma certa dose de esforço. O Russel Crowe, que é o Russell Crowe, precisou de um bocado de sorte.
Pessoas assim a gente corrige com uma boa e velha surra de Bíblia. Daquelas bem pesadas. Quando a mulher sente o peso da palavra, para com essas coisas.
(não, eu não estou defendendo a Bíblia de verdade. é que acho essa expressão - "surra de Bíblia" - muito foda e procuro utilizá-la sempre que surge a oportunidade!)
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
FOFO o cacete! Meu nome é Zé Pequeno!!
O caso é que se você diz que alguém é fofo, você vai logo pensar em um ursinho de pelúcia. Então chamar alguém de fofo é algo muito gay. Não gay no sentido de gostar de homens. Porque eu nunca soube de um urso que comeu um homem. Naquele sentido menos literal. Ou de uma ursa que comeu uma mulher. No mesmo sentido menos literal. E quando eu falo de urso, to falando no sentido menos literal também. To falando que é gay no sentido frufrulento da coisa mesmo.
E isso é muito desmoralizante. Nós homens somos assim, machões, conquistadores e destruidores. Queremos dominar territórios, queremos subjugar nações. A gente come carcaça de animais podres no almoço e prego enferrujado no jantar. E a culpa disto é a tal da testosterona. Porque um dia a gente tava lá, andando de bicicleta, brincando de carrinho e assistindo Bob Esponja. De repente aparecem 3 fios de penujem, o tal do buço. E a partir daí, muda toda a sua perspectiva sobre a vida. Você finalmente entende como é que Alexandre o Grande foi mais importante que é o Bob Esponja.
Seu esforço nesta vida passa a ser o de ser percebido como uma caveira de caninos afiados com capacete nazista. Todo mundo queria ser convidado para estrelar a capa de um disco do Motorhead. Nenhum homem quer ser fofo.
Entenderam por que isto é desmoralizante?
Fala outra coisa de mim, menos que sou FOFO. Fala que eu tenho uma pica enorme, praticamente um roto rooter, o tatuzão do metrô, sei lá. Essa é uma boa fama.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Meu amigo secreto é...
O fim do ano passou a ser mais agradável quando eu arrumei esse emprego que, não vem ao caso explicar porque, mas que não se pratica o tal do amigo secreto. Definitivamente a brincadeira mais sem graça do mundo. Primeiro você compra presente para aquela que você não tem a mínima idéia do que é ou gosta. Tanto faz se ela é da Congregação do Orgulho Virgem ou se é pedófilo: você compra um vale presente fuleiro ou uma camisa polo que não provoca ereções em ninguém e entrega falando o famoso “espero que você goste”. “Espero que você goste” é um belo sinônimo para “me livrei da bucha”. E é triste como tem que ser um presente, não sei por que as pessoas não dão, sei lá, envelopes com R$ 60,00 dentro. É sem erro, todo mundo precisa. Eu não saberia o que dar de presente para, por exemplo, minha própria irmã. Pior é antes de entregar o presente, o discurso. Você tem que inventar algo engraçadinho para dizer e que contenha algum suspense. Afinal, estamos vivendo a era do stand up comedy, não é mesmo? Mas criatividade não é um dom dos mais populares. E até para quem tem o dom, isso não é bacana: você não é criativo sobre algo estupidamente previsível. E então se atira nos recursos falso criativos, aqueles que todo mundo finge que é novo e divertido, mas que é o que todo mundo fala. “Meu amigo secreto tem dois olhos” e a platéia responde: “Hahahahahaha”. E macacos na selva ouvem isto e desistem de se reproduzir: o mundo é um lugar cruel. Tudo começou com aquela tal piranha mordendo uma maçã. Depois começamos a matar nossos irmãos por dinheiro e, antes que pudéssemos perceber o que estava acontecendo, inventaram o amigo secreto de fim de ano. Fico pensando no que Goebbels teria dado para Hitler no amigo secreto de 1944 da patota da SS. Talvez um envelope com uns R$ 60,00.
Com o fim de conter gastos, minha família decidiu que, depois de dois anos, eu não poderia mais me gabar de escapar desta doença e organizou um amigo secreto. Claro que eu vi o lado bom: eu gosto de dinheiro. Gosto de guardar dinheiro. Gosto de forrar meu colchão de dinheiro e rosnar alto quando alguém tenta entrar no meu quarto. Não sei se gosto mais que odeio amigo secreto, só estou contando para vocês que existe um lado bom. E aí eu tive que entrar nesta. Não estava em casa no dia do sorteio. Fizeram o sorteio e jogaram o papel misterioso com o nome de algum parente (ou alguém da família do meu cunhado, ou seja, ainda tinham parentes de consideração ali) sobre a minha mesa para que eu visse quando chegasse. Não havia papel nenhum. “Mãe, e agora?”. O que ela responde com “não tem problema, eu vi: você tirou a sua irmã… aliás, o Ney tirou você e perguntou o que você quer ganhar”.
Sempre lembro de quando trabalhei na seguradora. A gente assinava um tal de acordo de confidencialidade. Agora entendi por que, naquele caso, era necessário um contrato formal.
Fiquei amargando o que dar de presente para a minha irmã. Por dias. Resolvi pedir ajuda de uma amiga e comprei um kit mulherzinha com uma parte do dinheiro e guardar o resto para mandar rezar uma missa em minha própria homenagem. Na hora do sorteio minha irmã apareceu com uma outra roupa, então eu achei que este era meu texto engraçadinho e simpático: “minha amiga secreta é a única pessoa que que trocou de roupa esta noite”.
Silêncio constrangedor.
“Ah gente, é a minha irmã, pô!”. Mas ela não trocou de roupa, alguém disse bem baixinho no meio da multidão… a desgraçada colocou uma porra de chapéu de papai noel e eu pus aquela cara de merda porque tudo o que eu planejei deu errado na tentativa de fazer aquele momento de sofrimento intenso parecer menos intenso. Não me condene aí: eu sou homem. Uma das propriedades da testosterona é não assimilar trocas de roupas, cortes de cabelo ou perfumes novos. Pelas leis da testosterona, a única coisa que a gente percebe com segurança é cirurgia de colocação de silicone.
Deu tudo errado! … tudo?
O Ney, depois de dizer que o amigo secreto dele era alguém que estava “sempre passarinhando por aí”, como ele sempre gostou de falar, eu pus a minha máscara de surpresa e alegria e fui dar o meu ensaiado à exaustão abracinho de recebimento de presentes. E ele me entrega o meu presente, quando eu sinto a maior pena dele por ter lembrado que deveria ter dito à minha mãe o que eu queria ganhar. Nunca cheguei a dizer. Eu nunca quero ganhar presente, não acho importante. Eu gosto, mas não acho importante. Eu nunca quero nada. E o Ney, deixa eu explicar, ele se dói mesmo por estas coisas… não cabe aqui explicar quem é o Ney, só meus leitores mais antigos e amigos mais próximos vão entender mais ou menos. Só quem o conheceu pessoalmente sabe do que estamos falando. Então eu sei que ele se doeu muito para encontrar algo… foi nisso que pensei nos poucos segundos entre o fim do abraço e o presente sendo propriamente entregue.
O presente do Ney era branco. E tinha duas dimensões. Bem, tudo no mundo tem 3 dimensões, mas vocês entenderam. Era algo de abrir. Um envelope. Que continha R$ 60,00. Goebbles velho de guerra: pode-se contar com você até dentro de um bunker em chamas.
PS: Mudança adiada por tempo indeterminado (ou não)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
De Mudança
Quando eu tinha 9 anos de idade ouvi na escola que se o Lula ganhasse, lá em 1989, eu teria que dividir a minha família com uma ou mais famílias pobres. O que eu entendo que é uma maneira de praticar um MUNDO COMUM. Aí eu disse que não queria que o Lula fosse presidente e torci pelo Collor. Tinha até um adesivo dele na janela do meu quarto. “Fernando Collor”, o adesivo dizia. Fundo azul, letras em branco, um L verde e o outro L amarelo. O “Lula Lá” não ganhou, ganhou o cara do adesivo da minha janela. Aí ele bloqueou a poupança, arranjou mais uma esposa para o Chico Anisio, vestiu o país de preto e passou a bola para um cara que fez duas coisas muito importantes: pos umas fábricas para produzir fusquinhas novamente e não colocou nenhuma família pobre dentro da minha casa. Eu sei que eu torci por um presidente dito errado. Sei lá se ele era tão errado assim, mas o que eu não queria era dividir minhas peças de Lego com outra criança. É disto que tratava a questão.
Agora, anos mais tarde, proprietário único de minhas peças de Lego, estou pagando um preço grave por não ter apoiado um estado comunista: o Haloscan não é um bem cultural da humanidade, e sim um serviço privado que será cobrado de quem o desejar. E aí que eu fiquei de saco cheio de administrar estas coisas e resolvi que era hora de chutar o balde e fazer algo que eu sempre quis ter coragem: mudarei meu blog de endereço. Para um servidor mais descolado, mais moderno, mais tecnológico, mais gatão e sedutor que combina comigo e com meus textos, talvez mude para o wordpress de vez. So falta mesmo arrumar um layout novo(alguém se habilita a me dar um de presente?), etc etc e etc. Portanto,digo ao povo que eu não fico, ok?
domingo, 3 de janeiro de 2010
03 de Janeiro
Eu tinha o hábito, num passado infelizmente longínquo, de não deixar passar um dia 1º sem escrever alguma coisa no meu blog. Era regra, sagrado. Para começar o mês cumprindo uma obrigação que só tinha comigo mesmo. Mas era bom, me mantinha no embalo, me fazia pensar no que abriria o mês. Bom, já é quase dia 4 de janeiro, eu devia estar na cama há horas, e vai ser a primeira vez que escrevo neste mês. Pior: neste ano* - portanto, vamos resolver isso.
Não pude seguir aquela antiga tradição porque não tinha acesso a internet há quatro dias. Nem estava neste Estado, pra ser sincero. Fui fazer turismo naquel cidade dita maravilhosa. Fiz o trajeto completo: a Lagoa com sua árvore de natal mutante - a praia torta e a água-viva - o engarrafamento na subida do Corcovado - o Corcovado e o "big dude" - a Galeria Condor - a esfilha e o suco de caju do Libanês da Galeria Condor - os fogos em Copacabana - a bomba no túnel etc. Acho que não deixei nada passar. Minhas impressões sobre o final de ano e/ou do ano como um todo? 2009, sem querer ser muito vago, teve bastante coisa boa, mas muita coisa bem ruim também. Não que eu esteja sendo vago de propósito, é que sei exatamente do que estou falando e posso, pouco a pouco, colocar cada uma dessas coisas aqui. Ou não. Vocês sabem.
Não sou de acreditar que o final de um ano seja mesmo o término de um ciclo e a renovação das energiais mundiais (bom, ao menos pensando na parcela cristã da população e aqueles influenciados por ela) e menos ainda de fazer resoluções de as tão previsíveis previsões de Ano-Novo. Que nada, as minhas resoluções são diárias, se não acontecem a cada quatro horas. Tenho metas para o próximo mês e pretendo alcançá-las. Nada disso de ficar escrevendo quais são aqui no blog para as pessoas cobrarem depois. Bastam as minhas cobranças, depos eu conto os resultados aqui.
Agora, hora de ir pra cama. Mas logo, logo tem mais. Estou ouvindo um barulho estranho vindo do meu estômago.
___
*. piadinha infame, completamente inevitável e desprovida de qualquer graça.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
À procura da felicidade
Faz tempo que quero escrever sobre mim. Sobre o "mim" de ultimamente. Eu tenho me sabotado bastante. Grandão. Big time. Sabem? Talvez sim, talvez não. Mas tenho me sabotado. Lutado contra mim, principalmente. Aquilo que dizem sobre alguém ser seu próprio inimigo, bom...digamos que eu seja meu próprio Darth Vader. No fundo, lá no fundo quero meu bem, me preocupo comigo e tenho um carinho forte por mim mesmo. Mas me prejudico incrivelmente sem muito esforço. Sem muito pensar.
Ando procurando acreditar em sinais. Não sei se isso faz de mim uma pessoa religiosa, mas acredito realmente que fazemos nossos próprios sinais. Acontecem "fenômenos" com dez pessoas e cada uma delas tem uma forma própria de encará-los. Chegando em casa agora, peguei o final do "À Procura da Felicidade" (The Pursuit of Happyness) e parei para pensar. Logo no começo do filme, ficamos sabendo que o objetivo do personagem do Wil Smith é caminhar lado a lado com as pessoas bem-sucedidas que ele vê andando em frente aos prédios de escritórios. Ser como eles. Todos nós sempre temos objetivos. Os "o que eu quero ser quando crescer" daquela semana, daquele mês. Daquele momento. Se o filme acaba quando o personagem principal conquista esse momento, na vida real precisamos buscar novos momentos para alcançar.
Eu ando sem um momento desses. E, sem querer ser piegas mas não fazendo muito para evitar. estou sentindo falta de mim mesmo. Ando deixando minha felicidade nas mãos e opiniões dos outros. Por mais que saiba que estou errado em fazer isso, não tenho conseguido evitar esse comportamento. E me sinto deveras burro. Como acho que emburreci de uns meses para cá.
Eu sei que falar sobre isso só alimenta essa situação em mim mesmo, como papel seco numa fogueira. Fotos que a gente não quer mais. Mas me faz bem falar. E ando precisando do meu humor de volta. Então falo. E/ou escrevo.
Queria poder mudar sozinho, sem admitir que outras pessoas poderiam me ajudar. Por não querer depender de mais ninguém. Ciclo vicioso.
Quero terminar - e termino - dizendo que vou mudar. Que vou me corrigir, me consertar. Porque ando errado assim, como profetizou o anjo safado. Tanado!
E este texto poderia se chamar também "Gatos e patos". Mas isso seria equivocado demais. Talvez noutra hora. Mas prefiro que não.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Eu me expresso mal?
E aí restou um pessoalzinho que, na grande maioria, são meus amigos. O restante é suficientemente inteligente para discernir quando eu estou fazendo uma piadinha e quando estou falando sério. Salvando-se algumas exceções, vocês entendem o que eu quero dizer e isso é muito bom. Porque não me deixa naquele dilema do tipo "eu me expresso mal, eu tenho pensamentos muito esquisitos ou a pessoas é que são burras mesmo?"
Este ano, o blog de está sendo um viveiro dos comentários mais diferentes possíveis e imagináveis. Me recuso a pensar que o problema é que o leitor desse blog é burro: ou seja, não é nem que eu sou burro e não percebi. Assim, sério: tem momentos que esse blog é ódio puro (mas tem momentos que é lazer sem fim também, por isso que eu faço).
Coisas que me espremiam
Não é exatamente uma crítica, é uma constatação mesmo: a gente gosta de reclamar. Eu mesmo reclamo de muita coisa, bla bla bla. Mas não da pra negar que a minha vida, afinal, se acertou nessa parte de trabalho: eu to satisfeito, tenho planos e me sinto estável de grana e de função.
Não sei se está certo pensar assim, mas, para mim, era a base que eu precisava para me preocupar com outras coisas. E, ah, isso tem uma relação enorme com meu post...
2009 foi um ano em que eu efetivamente superei algumas das coisas que me espremiam. O que eu procuro desde, sei lá, sempre. Ainda não saí da casa da minha mãe. Ainda não escrevi meu livro infantu juvenil e nem o meu livro de fantasia. Ainda não esfreguei minha genitália em todas as meninas que tenho vontade. Mas, bem, uma coisa de cada vez, né?
Então pra você aí, que tenha um 2010 em que você consiga acabar tão satisfeito quanto eu. É o que da para eu desejar agora.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sophia, a cadela gente fina

eu sei que a foto é estourada e não está muito boa. a escolha é pelo que ela ilustra
Não tenho certeza da idade dela. Eu costumava pensar que encontrei ela (portanto, que ela nasceu) aos meus 12 anos de idade, então dizia que ela estava com 18 anos de idade.Mas eu não tenho muita certeza disto. Eu esperava que a qualquer momento eu fosse acordar e dar falta dela e do meu carro na garagem porque é o que as pessoas de 18 anos fazem. Não deu tempo dela fazer isto. Mas o importante é que sei que ela viu o impeachment do Collor e o fusquinha do Itamar. Viu o Brasil ser tetra. Viu eu comprar um videogame no lugar de dar entrada em um carro, me arrepender e ainda ter o videogame quebrado. Viu eu aprender a dirigir, viu eu entrar na faculdade e sair dela. Viu eu entrar e sair de depressão. Viu todas as minhas namoradas. A Sophia, a cadela gente fina, viu tudo.
A Sophia, a cadela gente fina, pelo que eu me lembro era o presente de dia das Mães da minha mãe. E no começo deu muita briga, porque já tinhamos um outro cachorro que não foi muito com a cara dela (na verdade ele não ia com a cara de absolutamente ninguém).
E ai que a Sophia dominava a casa, eu dormindo no chão para a Sophia, a cadela gente fina, dormir na minha cama escondido da minha mãe, eu dormindo no chão para a Sophia, a cadela gente fina, dormir na minha cama com o consentimento da minha mãe e, afinal, todos dormindo no chão.
A Sophia era esse tipo de cachorro sem noção. No sentido da pureza mesmo. Armava estas cenas esquisitas como a da foto e fazia esta cara aí de isso aqui é normal, você que não é, não sei do que você ta rindo. Ou sentar numa escada com a bunda num degrau e as patas da frente no nível do piso. Ou deitar na sua cama toda atravessada de um jeito que você mesmo não caberia nem se esforçasse muito. Vocês entenderam. Mas acho que, de tudo, o que a gente mais gostava da Sophia, a cadela gente fina, era o rabo dela. Cada vez que ela balançava o rabinho para os lados, a gente balançava inteiro. Nós já tínhamos outra cachorra, mas ela tinha o rabinho cortado. A Sophia era assim, com rabo. Se eu pudesse pensar em alguma coisa para chamar de alegria que contagia, com certeza esta coisa seria o rabinho da Sophia.
Eu tive diversos outros bichos. Antes da Sophia, a cadela gente fina, já tive tartaruga, peixinho, gatos e uma outra cadela. Ainda tenho outros no estoque lá em casa. Mas desse pessoal todo, ninguém eu gostei tanto quanto ela. Eu sempre soube que ficaria muito triste quando ela se fosse, mas é o tipo de coisa que a gente nunca sabe o suficiente até acontecer. De vez em quando chego em casa e ainda olho pros cantinhos onde ela costumava ficar mais depois que ficou velhinha. O céu dos cachorros deve estar em festa até hoje. Sorte do céu, azar da família Clay, vocês sabem como funcionam os ciclos.
Todo mundo que tem bicho fica com aquela viadagem de dizer "é a minha filhinha". Minha mãe gostava de dizer que ela era a mãe da Sophia e que eu era o irmão.Hoje fazem dois anos que ela se foi, não sou do tipo de fazer posts desse tipo, mas a Sophia a cadelinha gente fina merece.
E você aí não pode me condenar em pensar num céu de cachorros como uma criança faria: é o meu cachorro de infância, desde os meus 12 anos de idade. A Sophia, a cadela gente fina, viu tudo.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Pornografia cabeça

Shazam!!! / BRINKS!
Playboy da Fernanda Young né? Vamos falar disto agora que o assunto não está mais na moda. Mantendo minha tradição de chegar atrasado nos lugares. Conto pra vocês uma coisa: eu já comi melhores. E também conto pra vocês mais outra coisa: também já comi piores. Que eu já comi piores vocês acreditam, né? Inclusive vocês acreditam que este agrupamento que carinhosamente denominei de PIORES deve representar uns 99% das mulheres com que já saí. E que este 1% não representa sequer uma mulher inteira. "Tinha aquela lá que eu vi com o Clay uma vez, ela tinha o antebraço esquerdo muito bonito... já não se podia dizer o mesmo do direito". Não condeno vocês: não é meramente mais fácil, é também mais DIVERTIDO dar credito para os descréditos das pessoas.
Também, o que é que eu poderia reclamar, né? Eu já saí com umas meninas tão ruins que, sozinhas, derrubavam o valor de 3 das melhores mulheres com quem eu já tinha saído. Tipo aquela lá que me chamava de CLAYZITOS. Mas não foi isto que eu guardei como o pior dela. O que eu guardei como o pior dela foi o fato dela ser ÁSPERA. Não, não me refiro a um desvio de personalidade: lembro bem de beijar a barriga dela e pensar "cara, esta menina é ÁSPERA". Não encontrei na literatura científica menção a outras pessoas que fossem ásperas. Vai ver que ela era filha de um jacaré com uma lixa de unha, sei lá. Aí passei uma noite pensando que lamber a calçada devia ser muito parecido. Mas, resumindo: ninguém duvida que eu já comi piores que Fernanda Young.
Só o que eu acho é que Fernanda Young tinha toda aquela coisa de mulher independente, bem sucedida, escritora, bem resolvida na vida, exemplo de como uma mulher deveria ser, queimem os sutiãs e cubram homens na porrada, faz um monte de tatuagem pra parecer um mangá, é bem resolvida e da pra quem quiser, etc. E aí alguém fala que ela vai sair na Playboy e ela fala que vai mesmo. E automaticamente começa a se explicar, dando a entender que ela está se rendendo a algo chulo (?), mas com o objetivo de salvar este algo (???). Tipo uma heroína mesmo. E, desculpa, uma pessoa que É não precisa se justificar tanto. Precisa menos ainda repetir tantas vezes que ela é muito melhor que ex-BBB (tudo bem, eu sei que é mais fácil dar crédito para os descréditos das pessoas... mas... como e quem define o que é descrédito, afinal?). Que até onde eu sei, tem duas coxas, dois peitos e tudo mais que ela também tem. E que é o objeto dos ensaios da revista Playboy.
No fundo, se você parar pra pensar, um dos princípios dos ensaios nus da Playboy acaba sendo este: o de trazer pessoas a um denominador comum. Tem atriz de novela, tem passista de escola de samba, tem socialite e tem protagonista de escândalo político. Tem jogadora de basquete, jogadora de vôlei e gente que nem joga nada, mas que pode ter decidido algo sobre a Copa do Mundo de 1990. Daqui a muita lipoaspiração e cirurgia plástica, vai ter ex-aluna de faculdade. E, aí, desculpa, mas tem ex-BBB e tem Fernanda Young. Não adianta tentar se colocar como outra coisa porque você é a mesma coisa que todos. Não existe um jeito de intelectualizar um ensaio nu dentro do conceito desta revista. Nem escrevendo você mesmo o texto de seu ensaio porque nem um poema barroco faria uma Playboy parecer algo intelectualizado. Ela não deve ser algo intelectualizado. Fala que foi por dinheiro ou por vaidade, são coisas que eu acho dignas se assumidas. Para fazer algo realmente diferente, tente sair nu na revista sendo um homem, sei lá.
Se você aí for uma daquelas meninas que acham a Fernanda Young um grande exemplo de mulher a ser seguida, você devia ter vergonha de frequentar a sociedade de um modo geral. Porque ela é só fanfarrona e arrogante mesmo, mais nada. Mas gosto do pouco que já li dela, isto eu admito. Eu tenho preguiça de quem acha ela incrível porque ela provou que não é.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Diarinho sobre Lamúrias
Não se parece com a maioria das coisas que você aí já fez, eu te garanto. To longe daquele nível de quem está procurando outra carreira profissional, porque eu to satisfeito com isto. Pintar planilhas de excel continua parecendo mais louvável que fazer 174 copos de suco . Eu prefiro tentar achar alternativas de me manter conectado às coisas. E aí eu acho que ninguém sabe o QUANTO eu gosto de escrever.
E eu não sou muito bom, mas eu tenho um talento ou outro dentro disto. Difícil é publicar um livro, ninguém quer investir em alguém que tem dias contados para escrever. Eu mesmo não quero trabalhar com este cara. Mas as maravilhas da informática, né? Que eu posso escrever uns textinhos e publicar sozinho no meu quarto. Tudo sozinho. Não da pra imprimir em uma gráfica dentro do meu quarto, mas da para digitar o manuscrito e fazer o texto sair. Fica fake mas, e daí, né? O resto eu posso escrever, cantar, interpretar, sugerir, expirar, etc. Não se trata de fazer nada muito legal não. Trata-se de ter um hobby, e isto ta fazendo aquela falta.
Já que eu pareço tão incapaz de escrever algo bom que volto aqui pra fazer esta coisa diarinho sobre lamúrias. O blog tinha mais ou menos esta função, um hobby arte. Hoje eu mantenho ele por puro apego e uma vez por semestre eu escrevo algum texto que eu mesmo acho bom. Aí o lance é fazer um livrinho com umas 200 páginas.
Mostrar pra um punhadinho pequeno de gente e se este punhadinho pequeno de gente gostar eu mostro pra um punhadinho maior depois. Tudo para preservar a minha auto estima, eu não sou meramente gato pra caralho, eu sou orgulhoso também. Vamos ver no que vai dar... o meu manuscrito, este meu diarinho sobre lamúrias, etc. Vou me ater à filosofia de que se ficar uma merda, pelo menos eu me diverti fazendo...
... mas é claro que estou sonhando com glória, fortuna, mulheres arrancando minha roupa no palco e casa de show virando casa de swing. Um homem tem o direito de sonhar, não?
Na verdade eu estou retomando este blog mesmo que seja para ser um diarinho estúpido como uma resistência ao baixo conteúdo do Twitter. Não que eu não goste dele. Mas, né? E todo o saudosismo que o aniversário de 13 anos do ICQ me trouxe. Os tempos áureos da internet... como os tempos áureos em que eu tinha namorada... enfim...
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Superman é o mais forte?
- Às vezes, aparecem uns e outros. Mas o Super-Homem acaba ganhando porque ele tem revista própria.
Mais uma vez de novo vou comentar sobre o tempo que fiquei sem escrever aqui. De tempos em tempos eu dou uma sumida e venho me justificar por ter ficado fora, ou por ter voltado sem os cigarros. Como já disse algumas vezes, eu (como alguns familiares e amigos) tenho uma capacidade muito grande de me sentir culpado. A ponto de ficar inventando motivo pra me culpar. E a preocupação da vez era vir escrever só quando tivesse alguma idéia muito original e que influenciaria as vidas de várias pessoas. Ah, bobagem. Não sei onde li isso, mas alguém falava que estava cansado de escrever coisas úteis pros outros. Bom, eu cansei também.
Então, eu só vim aqui escrever que estou vivo e bem.
Pela atenção, grato.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
José Sarney, o primeiro presidente de que me lembro
Dois joinhas pra você também, seu Zé!Aí é isso aí, eu me lembro quando fui para São Luis fazer um bico no começo do ano. Aquela, capital do Maranhão. Terra dos lençóis maranhenses, da invasão holandesa, terra da balaiada. Deu ao Brasil a cantora Alcione e Zeca Baleiro. São Luis é a dos semáforos com acabamento de azulejo e daquela lagoa que ficava atrás do hotel que eu morria de medo.
Acho que é em São Luís mesmo que os Sarney moram, ainda que aquele maior de todos seja senador pelo Amapá. Não ligo muito pro Sarney, não sei por que é que as pessoas ficaram tão putas com ele ali. Ele fez um monte de merda e voltou, aí fez outro monte de merda e a gente vai trazer ele de volta se houver oportunidade. Porque ele é um literário e a prerrogativa de ser um literário é ter habilidades em administração pública. Ou o contrário. O Sarney é protagonista de uma das piadas que eu mais contei durante minha infância: não lembro bem como ela era, só lembro que eram vários caras de vários países discutindo heróis nacionais, algo como "no meu país, fulano perdeu uma perna na guerra e se tornou um grande defensor do desarmamentismo". E quando chegava na vez do brasileiro falar, ele dizia "no meu país, um homem foi decaptado, implantaram um coco no lugar da cabeça, colocaram um bigode e ele se tornou presidente da república". Não é porque eu achava isso realmente engraçado, é mais porque era a única piada que eu sabia contar.
Outro dia eu estava com uma amiga na rua e uma criança, com uns 11 anos de idade, no máximo, me parou tentando me vender uma faixa escrito FORA SARNEY. Respondi que eu não queria não. Expliquei que, na verdade, eu adorava o Sarney. Não cheguei a dizer, mas acho que me referia ao escritor. Minha amiga sugeriu perguntar para a criança sabia quem era o José Sarney. Prefiri deixar pra lá, se fosse para discutir algo com ela, que fosse o Bob Esponja. Já que José Sarney é um assunto da minha infância. Sinto saudade daquilo lá: o cruzeiro, o cruzado, o cruzeiro novo, o cruzado novo, a volta do cruzeiro velho, nem sei a ordem das coisas. A hiperinflação, o overnight e toda essa alegria: caos nos supermercados e os carros a álcool que não pegavam no frio nem com reza brava. Depois veio o Collor e a abertura pro mercado externo. Aí veio o Itamar, com ele o FHC e a estabilidade da moeda: logo as pessoas perceberiam o valor real do dinheiro e dos produtos.
Então o Lego deixaria de ser um brinquedo financeiramente acessível para minha família, forçando minha desistência da infância e entrada forçada na adolescência. Eu teria passado mais uns anos montando Lego ao invés de correr atrás das menininhas se aquele sociólogo metido a economista dos infernos assim tivesse permitido.
Eu tenho idade suficiente para lembrar do Figueiredo, na verdade, mas eu não lembro dele. Não aconteceu na minha vida o momento Clay, este é João Baptista Figueiredo, presidente da república. Então eu certamente ignoro isso. Eu tinha 5 anos quando Tancredo Neves foi eleito.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Mimimi
Enfim, eu só penso nisso: dormir.
Então desculpa pelo sumiço... vocês já nem perguntam mais por onde eu ando, mas acho tão chato não conseguir manter uma constância mínima que seja aqui. Enfim, essa frase foi a prova definitiva de que eu quero sim um abraço. Minha dignidade indo para a casa do caralho, como de costume.