segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mimimi

Eu estou tão cansado que acho que não tenho muita disposição para dissertar sobre o cansaço. Sinto meu corpo inteiro com aquilo que eu chamo de "dorzinha do cansaço". Aquela, que vocês só chamam de cansaço, porque vocês ainda tem capacidade física de chamar as coisas pelos nomes corretos. Eu tinha pensado em pedir para amputar braços e pernas, assim meu corpo teria menos superfícies sensíveis ao cansaço. Mas aí lembrei que algumas coisas ficam muito importantes ficam difíceis de fazer sem braços e pernas. Tipo escrever um blog. Isto porque há um mês que eu acordo entre 03:00h e 05:00h da manhã e não consigo dormir novamente. É sério. Não estou falando isto para ninguém ter pena de mim. Não estou pedindo um abraço. Mas aceito um pouco de dinheiro, talvez algum sexo. As pessoas perguntavam para mim que horas eu ia acordar e eu nunca sabia. Primeiro que horários entre 03:00h e 05:00h são difíceis de classificar: não sei se isto é "amanhã cedo" ou se "tarde desta noite". Segundo que eu ando sentindo minhas capacidades irem embora: não raciocino mais direito, esqueço coisas, ando irritado e falo palavras erradas. Uma dislexia só: estou deixando de ter um disturbio para ser um distúrbio. Ou estou entendendo o que é tensão pré menstrual. Ando carente, chato, irritado, emotivo e tenho comido mais chocolate do que costumo normalmente. Talvez eu finalmente esteja perto de entender alguma coisa sobre as mulheres.

Enfim, eu só penso nisso: dormir.


Então desculpa pelo sumiço... vocês já nem perguntam mais por onde eu ando, mas acho tão chato não conseguir manter uma constância mínima que seja aqui. Enfim, essa frase foi a prova definitiva de que eu quero sim um abraço. Minha dignidade indo para a casa do caralho, como de costume.

domingo, 6 de setembro de 2009

FOR MEN

Comprei um shampoo para homem. For men, como ele se diz. Aí na saída do supermercado tinha lá uma revista que também era qualquer coisa for men com uma matéria de capa no estilo "fique saradão em um mês" com um cara todo bombadão, mas eu sempre achei que pegava mal comprar revista com homem bombadão. Notem que nem as mulheres compram revistas com homens bombadões na capa, a estética é a mulher gostosa.

Eu na verdade comprei o for men porque eu li numa revista que isto existia e eu nem imaginava mesmo. Que cabelo fazia esta distinção entre ser homem ou mulher. Pensei que fosse tudo proteína mesmo. A revista era uma Playboy, que é uma revista que tem mulher pelada na capa, caso você aí nunca tenha ouvido falar. Aliás, uma tremenda enganação porque você compra pensando que vai ter mulher pelada. E até tem. Mas ela ta escondida ali no meio de um monte de shampoo for men. Veja meu peitinho e compre um shampoozinho, qualquer coisa assim.

Uma revista que fala de homem e põe umas mulheres ali no meio pra enganar a gente. Enganar no nível que me fez comprar tal shampoo for men. Aí hoje eu lavei meu cabelo com ele mas eu não me senti mais masculino com esta revolução higiênica. Na verdade eu não sei bem onde eu quero chegar com tudo isto que eu to dizendo, talvez pra dizer que ser homem está ficando cada vez mais difícil porque é uma coisa cada vez menos definida, os manuais estão desatualizados. O ingresso da mulher no mercado de trabalho. Ou na capa da revista. Sei lá.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MSN Bizarro

Ela diz:
Sonhei q vc era um matador de aluguel. Pra variar, eu e meus sonhos estranhos uauahuha envolvendo pessoas conhecidas

Eu digo:
Jura? Mas que eu te matei ou que você se sentiu seduzida pela virilidade de um matador?

Ela diz:
auhauhauhhaua eu achava esquisito... vc saía matando as pessoas, meio estranho.

Eu digo:
É meio estranho porque nem é uma coisa que eu faço. Ou pelo menos não fiz na sua frente. Tipo tirar ranho do nariz. É mais ou menos a mesma coisa.

Ela diz:
Hahahahahaha! Vc ja matou pessoas por dinheiro?

Eu digo:
Que nada! Por que você acha que eu sou pobre?

Ela diz:
Hahahahahahahahah!! É verdade... já estaria nadando em dinheiro se fizesse.

Eu digo:
Aí eu casaria com alguma mulher super elegante, culta e artista plástica, daquele tipo que faz quadros horríveis que ninguém compra. Daria pra ela uma mansão com piscina, carro importado, essas porras... e ela ia perguntar "mas de onde vem tanto dinheiro, com o que você trabalhar?" e eu responderia "trabalho com gestão de pessoas"... Pensando assim, eu gostei do seu sonho!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Homem Primata, Capitalismo Selvagem

Quer dizer, eu estou ali, tomando minha cerveja com esta figura que pode-se dizer que trabalhava comigo, à noite naquele bar que eu gosto mais de dia, aquele, o da melhor coxinha do universo. E ela começa a tagalerar e choramingar sobre pessoas que tem oportunidades INCRÍVEIS no trabalho porque são puxa sacos dos patrões. E eu sinto a cerveja sair do sabor amargo e delicioso, passar pelo pelo carismático mas não ideal sabor azedo e chegar ao tenebroso sabor calcinha cor de pele. Porque choramingar sobre puxa sacos é algo tão 2006.

E não da para entender porque é que alguém efetivamente reclama das tais oportunidades. Não são oportunidades incríveis de verdade. Não existe pulo no plano de carreira e não existe aumento salarial em jogo. Apenas prestígio. Lá, prestígio te ajuda a não ser mandado pra rua quando rola facão, ou te ajuda a arrumar um cargo burocrático. Mas quem quer um cargo burocrático é porque já tem um dispositivo puxador de saco escondido dentro de si. Em algum lugar entre o intestino grosso e a uretra, provavelmente.

- Sabe, não é justo que a fulana seja convidada para fazer apresentações especiais no Faustão enquanto a gente fica fazendo acrobacia com pinos flamejantes na esquina da Rebouças com a Brasil e disputando trocados com os alejados. NÃO-É-JUS-TO-!

(Já tinha contado para vocês que eu sonho em ser circense, certo? mentira, mas a piada ficou legal, fala verdade.)

- Bem, sabe, o mundo não é mesmo justo, tentei explicar.

Ela disse qualquer coisa que queria dizer que ela se recusava a acreditar que o mundo podia ser assim. E eu continuei na dúvida, sobre quem estava sendo niilista e quem estava sendo ingênuo. Depois de alguns milhões após uma hecatombe nuclear, algum ET arqueólogo talvez estude isto e decida, eu mesmo não vou gastar minha vida pensando nisso. Quem está sendo idealista, no entanto, eu acho que sei.

Quando eu trabalhava na seguradora, isto era um problema. Eu chorava, eu me descabelava, eu enfiava a cabeça na privada pra ver se encontrava um mundo belo e florido do outro lado. Aí eu apurava resultados de campanhas de vendas e os resultados diziam que a campanha era um fracasso. "Chefe, sua campanha, é um FRACASSO". Não sei o que eu esperava com isso, talvez que ele fechasse o departamento por descobrirmos que ele não presta pra nada e eu ser mandado embora por não ter mais um departamento para eu trabalhar (O que de fato aconteceu anos mais tarde). Ou talvez fechar a fábrica toda por causa disso, até a matriz. E ele respondia: "veja por este lado, veja por este outro, aí olhe este terceiro lado porque é uma campanha de três lados, o terceiro ta escondidinho aqui... faça um novo relatório e um novo Power Point com estes lados porque a nossa campanha é um SUCESSO".

O que mais me emputecia não era ele maquiar os dados para ter algo dito bonito e usar esta coisa dita bonita para puxar o saco do pessoal grande. O que me deixava realmente fodido era que ele agia como quem acreditava nos números que ele mesmo maquiou. Se ele fechasse a porta e sussurrasse que era para a gente mentir e que eu não podia contar isto para ninguém, talvez eu não ficasse tão puto.

Mas, bem, uma das grandes lições da seguradora foi essa mesmo: a de aceitar o sistema. Não achar ruim fazer algo que você não acredite plenamente porque a maioria das pessoas não vai acreditar nas mesmas coisas que você. Então você chega num acordo. Ninguém ganha a vida trabalhando por ideologia. E eu não sou hippie o bastante pra preferir ser pobre e fodido só porque carregar uma bandeira vermelha parece mais importante. Pra mim ela não é tão importante assim e eu juro que não estou falando isso com mágoa.

Sem mágoa porque alguém me explicou uma vez que isso é capitalismo, não pela relação trabalho em troca de dinheiro, existia uma explicação que realmente fazia sentido, só que eu não lembro. Esta parte vocês vão ter que acreditar quando eu digo porque não lembro mais o raciocínio. Só queria chegar à conclusão de que, de um jeito ou de outro, resolvi aceitar o sistema porque o capitalismo é mesmo sedutor. Eu gosto de e quero Coca-Cola, Nike, Nintendo, etc. Não se trata de desilusão, trata-se de vender a alma ao diabo porque ele tem umas coisas bacanas pra oferecer mesmo.

Bom na verdade nem era sobre capitalismo que eu queria escrever, era o quanto fiquei chateado essa semana por não ter sido escolhido em uma seleção que eu queria muito, mas acho que isso vai ter que ficar para outro post.

sábado, 22 de agosto de 2009

Notebook - Parte 2

Ainda estou querendo comprar um notebook, não deu muito certo o outro que eu tinha encomendado (mas eu explico isso em outro post). É o que escolhi para me dar de presente para meu aniversário que ta chegando aí. Quero comprar um notebook potente, super potente, capaz de realizar um zilhão de cálculos por segundo, que poderia fazer um míssil acertar com precisão um fio de cabelo no outro hemisfério do mundo. Preciso disto para ler blogs, falar no MSN e ver filmes eróticos, em essência. Então eu dei uma volta na Santa Ifigênia, a Coréia brasileira. Só para sondar. Depois entrei no Mercado Livre, que é como a Coréia seria se fosse um site. Tem um monte de caras trazendo notebook para o Brasil, mas a gente fica com medo de comprar deles porque parece que vai vir em uma caixa suja de sangue. Mandam a caixa com um notebook pra cá e a gente devolve a mesma caixa para os EUA com algum morador de Governador Valadares, um tipo de troca justa. Ainda não achei o meu note, tenho medo de loja de internet, fico achando que vou cair em golpe. Eu compro o note e de dentro dele sai um anão que vai bater em mim e roubar meu dinheiro e minhas cuecas. Então to aqui rachando a cabeça para descobrir se este ou aquele lugar são ou não confiáveis para comprar o note. Ligo pra lá e pergunto "quanto está o Acer de tal modelo? E o Toshiba? Tem anões trabalhando aí?"

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Alligator

Olha, eu tenho vergonha de vir aqui admitir isto publicamente. Mas acho importante tratar do assunto para que caia o tabu. Digo isto porque, depois que admiti que passei pelo problema, mais pessoas admitiram o mesmo para mim. Talvez se todos tivessem a postura de explicitar publicamente o fato, haveria menos preconceito e poderíamos tratar isto como uma questão normal. Bom, sem rodeios: estes dias, meu celular caiu na privada. Eu tinha acabado de consertá-lo, um dia antes mesmo, e aí, tchibum. Você aí pode estar rindo de mim e me olhando com aquele pensamento de que eu sou um imbecil, que não colaboro para o desenvolvimento da humanidade e pensando que sou o tipo de ser que deveria estar no fim da cadeia alimentar. Para você eu digo que já pensaram assim dos gays. Hoje em dia eles são considerados um nicho de consumidores importantíssimos economicamente e têm até a própria parada do orgulho. Talvez algum dia as pessoas se unam para fazer uma parada só de gente que deixou o celular cair na privada. Assim, com orgulho, né?

Como aconteceu eu não sei direito dizer: levantei do troninho ainda com as calças arriadas e aí que ele fez o seu duplo carpado. Também não vou dar detalhes sobre o resgate. Só digo que se aparecerem escamas na minha mão daqui uma semana, conto aqui no blog.

O fato de eu ter acabado de tirar ele do conserto só aumenta a raiva. Estava com aquele visor da frente todo rachado. Ele bem podia ter deixado para fazer isto ainda quebrado, mas esperou até o dia seguinte. Talvez uma coisa no estilo quando estiver com meu maiozinho novo, eu pulo na piscina. Fiquei tão puto da cara que a minha vontade era de dar a descarga, só que na hora eu só conseguia pensar naquele filme da nossa infância, o Alligator. Que pra quem não conhece, era a história de uma família nova iorquina que ganhava um filhotinho de jacaré de presente e, quando enjoaram dele, jogaram o bichinho na privada e deram a descarga. Aí o jacarezinho passa a infância e adolescência dele comendo cocô dos humanos - eventualmente algum celular que caiu na privada também - até que ele se tornou muito muito grande, muito muito forte e resolveu sair do esgoto e passear pela cidade porque estava muito muito puto. Aí ele saia por aí tocando o terror e comendo seres humanos. Que tinham mais valor nutritivo que só os seus cocôs. Uma história muito coerente: se minha mãe tivesse me jogado na privada e dado a descarga, eu também acharia que sou o tipo de pessoa que deveria se alimentar de seres humanos.

Mas enfim: o ponto todo disso aí é que eu não quis dar a descarga no meu celular pensando no Alligator. Sei lá se meu celular não ia ficar muito grande e tocar o terror por aí. O japonês que inventou as histórias com robôs gigantes provavelmente foi um cara que deu a descarga no celular dele e pensou nisso tudo aí, mas com o final feliz, já que os robôs gigantes protegem a gente (de caras como o Alligator). Se bem que quando os robôs gigantes foram inventados, os telefones celulares ainda não existiam, então ele deve ter dado a descarga em alguma outra coisa que fosse tecnologia de ponta no seu tempo. Tipo, sei lá: um daqueles chaveiros que tinham um monte de botões: quando você apertava o primeiro, fazia um barulho de metralhadora, o segundo, o barulho de uma bomba caindo, etc.


O pior mesmo é que com a morte do celular, eu perco todos os números de telefone dos meus amigos. Porque é claro que eu não tenho tudo anotado em outro lugar. Como uma pessoa normal: eu deixo meu celular cair na privada, mas eu sou uma pessoa normal.

domingo, 16 de agosto de 2009

Twittando 001

Vamos aprender agora como fazer uma receita de mousse de maracujá para impressionar a sua mãe, namorada ou Avó.

Junte no liquidificador o conteúdo de uma lata de leite condensado, uma lata de creme de leite sem sono e suco concentrado de maracujá a gosto. Bata até obter uma mistura homogênea. Separe um maracujá bem escolhido no supermercado para utilizar os caroços como decoração e para dar um tchans a mais. Ferva em uma panela à parte o conteúdo de uma embalagem de gelatina incolor. Isso, a gelatina incolor que você deveria ter trazido do mercado.

Ah, esqueceu dentro da cesta de compras?

Pois é, eu também.

Mande uma mensagem SMS para sua irmã, que trará a gelatina sem sabor e fará ela mesma o mousse. Agora é só comer.